
Quando falta um dente, o incómodo raramente é só estético. Começa com pequenos ajustamentos que ninguém nota, até ao dia em que mastigar daquele lado passa a ser “chato”, o fio dentário prende, o dente ao lado começa a inclinar ou ganhas o hábito de sorrir com menos vontade. E depois vem a pergunta inevitável: implante ou ponte?
A resposta honesta é esta: há casos em que o implante costuma correr melhor, há casos em que a ponte é a opção mais sensata, e há casos em que o que “corre melhor” depende do que se faz antes, durante e depois. O resto é ruído.
O que está realmente em jogo quando escolhes uma solução
Um dente perdido não fica “num vácuo”. O osso naquela zona tende a reabsorver com o tempo, os dentes vizinhos podem migrar e o antagonista (o de cima ou de baixo) pode extruir, procurando contacto. Isto não acontece de um dia para o outro, mas vai acontecendo.
Por isso, a escolha não é só sobre substituir um dente. É sobre proteger o equilíbrio da mordida, a higiene a longo prazo e, em muitos casos, a integridade dos dentes vizinhos.
Implante: o que é, o que resolve, o que exige
Um implante é uma raiz artificial (normalmente em titânio) colocada no osso, que depois suporta uma coroa. A grande vantagem é conceptual e prática: substitui o dente em falta sem “encostar” aos dentes ao lado.
Se a indicação for boa e o plano for bem executado, os implantes dentários tendem a oferecer uma solução previsível e confortável, sobretudo em perdas unitárias ou em reabilitações onde se quer evitar desgaste de dentes saudáveis.
Pontos fortes típicos do implante:
- Preserva dentes vizinhos, porque não exige desgaste para pilares
- Mantém, em muitos casos, melhor estímulo ósseo naquela zona (o osso “gosta” de ter função)
- Facilita higiene semelhante a um dente (escova e fio com técnica adequada)
- Pode ser escalável, isto é, hoje substituis um dente, amanhã resolves outro sem mexer no primeiro
O que exige e nem sempre é dito com clareza:
- Precisa de osso adequado e gengivas estáveis
- Requer diagnóstico imagiológico e planeamento rigoroso
- Implica manutenção e higiene consistentes, porque “implante não tem cárie” mas pode inflamar.
Ponte: o que é, quando faz sentido e que compromissos traz
Uma ponte fixa substitui o dente em falta apoiando-se nos dentes adjacentes, que funcionam como pilares. Em termos simples, os dois dentes ao lado são preparados e recebem uma estrutura que “segura” o dente que falta.
A ponte continua a ser uma solução sólida em muitos casos, sobretudo quando os dentes adjacentes já têm restaurações grandes, já precisam de coroas, ou quando a anatomia óssea e clínica torna o implante menos previsível no imediato.
Pontos fortes típicos da ponte:
- Pode ser mais rápida a nível protético em determinados casos
- Resolve o espaço sem cirurgia de implante (embora possa exigir tratamentos prévios)
- É útil quando os dentes vizinhos já vão ser reabilitados, porque o “custo biológico” do desgaste já existia
Compromissos importantes:
- Exige desgaste dos dentes pilares, mesmo que estivessem saudáveis
- A higiene na zona do dente “suspenso” pede mais técnica, com passa-fio ou escovilhões específicos
- Se um pilar falhar no futuro, a ponte inteira pode ficar comprometida.

[…] Um dente perdido não fica “num vácuo”. O osso naquela zona tende a reabsorver com o tempo, os dentes vizinhos podem migrar e o antagonista (o de cima ou de baixo) pode extruir, procurando contacto. Isto não acontece de um dia para o outro, mas vai acontecendo.
Referências Científicas
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Pjetursson BE, Tan WC, Tan K, Brägger U, Zwahlen M, Lang NP. A systematic review of the survival and complication rates of fixed partial dentures (bridges) after an observation period of at least 5 years. Clin Oral Implants Res. 2004. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15248880/
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Tan K, Pjetursson BE, Lang NP, Chan ES. A systematic review of the survival and complication rates of fixed partial dentures supported by implants. Clin Oral Implants Res. 2004. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15248881/

