
A ideia é simples e, por isso, poderosa: entras com dentes soltos, ausentes ou que já te limitam a sorrir e a comer, e sais no mesmo dia com dentes fixos. Para muita gente, isto não é vaidade, é vida a andar para a frente sem pausas. Só que há uma diferença grande entre “dá para fazer” e “faz sentido fazer em segurança”. A pergunta certa não é se existe. Existe. A pergunta é se o teu caso encaixa no que a medicina dentária chama carga imediata, sem atalhos que depois saem caro em desconforto, inflamação ou falhas.
O que significa, afinal, “dentes fixos no próprio dia”
Vamos ao essencial, sem jargão inútil. Na carga imediata, colocam-se implantes e liga-se uma prótese fixa provisória num prazo curto, muitas vezes no próprio dia, para que não passes semanas ou meses com uma solução instável.
Isto é diferente de um protocolo “convencional”, em que o implante cicatriza primeiro (osseointegração) e só depois recebe a prótese fixa. Nenhum dos dois é “melhor” por definição. São estratégias diferentes para objetivos diferentes. A carga imediata pode ser excelente quando as condições são favoráveis. Quando não são, pode transformar um tratamento que devia ser previsível numa sequência de remendos.
A grande condição invisível: estabilidade e controlo das forças
O implante é uma peça de titânio. O osso é tecido vivo. No primeiro período, o que mantém tudo estável é a estabilidade inicial, e o que garante que essa estabilidade se transforma em osso a integrar o implante é a forma como as forças são controladas.
Traduzindo para a vida real: não basta “apertar bem”. É preciso osso adequado, um planeamento que distribua a carga pela arcada e uma prótese provisória desenhada para proteger o processo de cicatrização. A carga imediata não é um truque. É um equilíbrio entre biologia, mecânica e disciplina pós-operatória.
Um cenário comum, para perceberes o que está em jogo
Imagina alguém de Setúbal, 58 anos, que perdeu vários dentes e já evita comer fora porque a prótese móvel dança. Chega com urgência emocional, mas sem drama: quer voltar a ter controlo.
Se as gengivas estão saudáveis, se não há infeção ativa, se o volume ósseo permite boa estabilidade inicial e se o planeamento define uma prótese provisória fixa com carga bem distribuída, a solução com dentes fixos em 1 dia pode ser uma viragem enorme.
Agora, o mesmo cenário, com um detalhe diferente: infeções não tratadas, tabaco pesado, bruxismo intenso e osso muito reabsorvido. Aqui, forçar a pressa costuma ser má ideia. O plano certo pode exigir etapas, preparação periodontal, eventualmente regeneração e uma decisão mais ponderada sobre timings. O objetivo mantém-se, mas o caminho muda para reduzir risco.

[…] Se as gengivas estão saudáveis, se não há infeção ativa, se o volume ósseo permite boa estabilidade inicial e se o planeamento define uma prótese provisória fixa com carga bem distribuída, a solução com dentes fixos em 1 dia pode ser uma viragem enorme.
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Chen J, Cai M, Yang J, et al. Immediate versus early or conventional loading dental implants with fixed prostheses: a systematic review and meta-analysis. J Prosthet Dent. 2019. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022391319303439
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