dentes do siso inclusos quando remover, quanto tempo de recuperação e riscos reais

Dentes do siso inclusos: porque decidir agora evita problemas mais tarde

Os sisos aparecem muitas vezes quando já não há espaço. Ficam inclinados, “deitados” ou presos no osso, empurram o dente da frente e inflamam a gengiva. É aqui que a pergunta certa não é “removo sempre?” mas “quando é que remover é mais seguro do que vigiar?”. Em Portugal, e também na região de Setúbal e Almada, a decisão clínica segue critérios objetivos: sinais de doença, risco de dano no segundo molar, infeções recorrentes, quistos ou impacto claro na mordida. O objetivo é simples e humano. Evitar dor e complicações, e preservar dentes saudáveis.

Remover ou vigiar: critérios clínicos que importam mesmo

Remover é indicado quando há pericoronarite repetida, cárie no siso ou no segundo molar adjacente, quistos ou reabsorções radiculares, dor persistente, impacto claro na higiene e no alinhamento ou quando o siso impede tratamentos como ortodontia ou prótese. Vigiar pode ser opção quando o siso está incluso sem patologia, totalmente coberto por osso, sem tocar a raiz do segundo molar e com boa higiene possível. Na dúvida, a decisão não se toma por “pressa” mas por sinais. Avaliar radiografias, examinar tecidos e comparar risco cirúrgico com risco de manter o dente. Se remover, mais vale fazê-lo em condições controladas do que durante uma urgência dolorosa.

Diagnóstico sem atalhos: radiografia certa e CBCT quando faz sentido

A avaliação começa por exame clínico e radiografia panorâmica. Quando a raiz do siso inferior está muito próxima do nervo alveolar inferior ou a anatomia não é clara, recorre-se a tomografia CBCT para mapear trajetos, espessuras de osso e relações com o nervo. CBCT não é “para todos os casos”. É para as dúvidas que realmente mudam o plano cirúrgico. Este rigor reduz surpresas e guia a técnica. Se precisares de saber mais sobre a equipa e os procedimentos, consulta a página de Cirurgia Oral.

O que esperar da cirurgia: previsibilidade e conforto

A cirurgia é feita com anestesia local. O que vais sentir é pressão e vibração, não dor. Em sisos inclusos, pode ser necessário desgastar um pouco de osso e dividir o dente para o retirar por partes. Isto não complica a cicatrização. Pelo contrário, facilita uma remoção controlada e poupa tecido. Em casos selecionados, usam-se pontos reabsorvíveis. A consulta termina com explicações práticas, medicação ajustada ao teu perfil e o plano de recuperação. O foco é conforto e previsibilidade. Em Setúbal e Almada, a experiência do cirurgião e a comunicação clara fazem tanta diferença como a tecnologia.

[…] A decisão clínica segue critérios objetivos: sinais de doença, risco de dano no segundo molar, infeções recorrentes, quistos ou impacto claro na mordida. O objetivo é simples e humano. Evitar dor e complicações, e preservar dentes saudáveis.

Recuperação realista: do primeiro dia ao regresso à rotina

Nas primeiras 24 a 72 horas é normal haver inchaço, ligeiras nódoas negras e limitação de abertura da boca. O pico de edema surge por volta das 48 a 72 horas e depois desce. A dor é geralmente controlável com anti-inflamatórios e analgésicos habituais recomendados pelo médico. Compressas frias nas primeiras 24 horas ajudam a reduzir o inchaço. Alimentação macia e fria no início, cabeça ligeiramente elevada ao dormir, não fumar e boa higiene com escovagem suave e colutório quando indicado. Os pontos, se não forem reabsorvíveis, retiram-se tipicamente aos 7 a 10 dias. A maioria das pessoas retoma as atividades diárias em 2 a 3 dias e o exercício físico progressivo após 5 a 7 dias, conforme orientação. Se trabalhas em esforço físico, combina previamente os tempos de regresso.

Riscos reais e sinais de alerta que merecem atenção

Complicações graves são raras, mas transparência é essencial. A alveolite seca provoca dor intensa que aparece 2 a 4 dias depois e precisa de cuidados em consultório. A infeção manifesta-se com dor que piora, inchaço crescente, febre e, por vezes, mau sabor. Em sisos inferiores, existe risco baixo de parestesia temporária do lábio ou queixo quando a raiz está muito próxima do nervo. Em sisos superiores, pode existir comunicação com o seio maxilar em anatomias específicas. O que fazer. Contactar a clínica se a dor aumentar após o terceiro dia, se houver febre, secreção, dificuldade em engolir ou abrir a boca, sangramento que não cede, ou dormência persistente. Estas situações resolvem melhor quando tratadas cedo.

Antibiótico, analgésico e gelo: o que é essencial e o que é opcional

Analgesia anti-inflamatória e analgésicos comuns, quando recomendados, controlam bem o desconforto. Antibiótico não é rotina em todas as extrações de siso. Usa-se apenas quando a avaliação clínica assim o indica. Excesso de antibiótico não acelera a recuperação e pode trazer efeitos indesejáveis. Já o gelo nas primeiras 24 horas, a higiene oral cuidada e o cumprimento das indicações reduzem edema, dor e risco de complicações. A tua parte é simples. Seguir o plano, descansar, alimentar-te bem e voltar à consulta de controlo.

Micro-cenário útil: duas decisões, duas cirurgias diferentes

Cenário 1. Siso inferior incluso, deitado e muito próximo do nervo alveolar inferior. Panorâmica sugere contacto. Faz-se CBCT, confirma-se proximidade crítica. Opção segura. Remoção com técnica conservadora ou coronectomia em casos selecionados, com explicação clara de riscos e vantagens. Recuperação semelhante, com vigilância sensitiva.

Cenário 2. Siso superior parcialmente incluso com episódios de sinusite e inflamação da gengiva. Raízes longe de estruturas nobres. Opção segura. Remoção completa, pontos simples, desconforto controlável e baixa probabilidade de complicações. Em ambos, a decisão não é automática. É clínica, imagiológica e personalizada.

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Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence. Guidance on the extraction of wisdom teeth. Technology appraisal TA1. 2000. Atualização em curso. https://www.nice.org.uk/guidance/ta1
  2. American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons. Management of Third Molar Teeth. White Paper. 2016, atualizado. https://aaoms.org/wp-content/uploads/2024/03/management_third_molar_white_paper.pdf
  3. Matzen LH, Schropp L, Spin-Neto R, Wenzel A. Cone beam CT imaging of the mandibular third molar. Medicina. 2019. Recomendação geral a favor de CBCT apenas quando há questão clínica específica. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6747425/