quando um implante falha, pode colocar se outro?

Quando um implante falha, a primeira reação costuma ser pensar que aquele local deixou de servir para outro. Nem sempre. Em muitos casos é possível colocar um novo implante na mesma zona, mas isso não deve ser tratado como uma simples substituição de peça. Antes de voltar a intervir, é preciso perceber porque falhou o primeiro implante, quanto osso ficou disponível, como estão os tecidos à volta e se existe alguma condição que possa repetir o problema. A possibilidade de voltar a colocar implantes dentários no mesmo local existe e está bem documentada. O que muda é o nível de exigência do planeamento. Um local onde já houve uma falha merece mais atenção, não menos.

Primeiro é preciso perceber que tipo de falha aconteceu

Nem todos os implantes falham da mesma forma. Há falhas precoces, quando o implante não chega a integrar-se adequadamente no osso durante a cicatrização. E há falhas tardias, depois de meses ou anos de funcionamento, muitas vezes associadas a perda óssea, inflamação peri-implantar, sobrecarga mecânica ou uma combinação de fatores. Esta distinção interessa porque o estado do local pode ser muito diferente. Um implante que não osseointegrou e é removido cedo pode deixar um defeito relativamente limitado. Um implante perdido depois de uma peri-implantite avançada pode deixar uma quantidade de osso bastante menor e tecidos mais difíceis de gerir. Também é importante perceber se o problema estava essencialmente no local ou se existem fatores gerais que continuam presentes. Tabaco, higiene insuficiente, antecedentes de periodontite, doenças sistémicas mal controladas, determinados padrões de mordida ou dificuldades de manutenção podem continuar a influenciar o resultado seguinte. Se a causa provável não for identificada, colocar outro implante no mesmo sítio sem corrigir nada seria repetir o tratamento nas mesmas condições e esperar um resultado diferente.

Dá para colocar outro imediatamente depois de retirar o primeiro?

Às vezes sim. Outras vezes, seria uma má decisão. Se o implante falhado pode ser removido preservando uma quantidade suficiente de osso, não existe infeção importante e é possível obter estabilidade para o novo implante, há situações em que a substituição pode ser feita no mesmo ato cirúrgico. Mas isto não é uma regra nem uma vantagem automática. Quando existe um defeito ósseo significativo, infeção, perda importante da parede óssea ou incapacidade para estabilizar o novo implante, pode ser mais prudente limpar cuidadosamente a zona, regenerar o osso quando necessário e esperar pela cicatrização antes de tentar novamente. Esse intervalo não representa tempo perdido. Pode ser precisamente aquilo que cria condições para o segundo tratamento ter melhor prognóstico. O momento da reimplantação depende, portanto, daquilo que fica depois da remoção e não apenas da vontade de terminar o tratamento depressa.

O segundo implante pode resultar, mas não parte exatamente do mesmo ponto

Os estudos sobre reimplantação mostram que colocar um novo implante num local onde outro falhou é uma opção viável. Mostram também uma realidade que convém explicar sem dramatizar: em média, um implante colocado num local de falha anterior apresenta um risco de nova falha superior ao de um implante colocado pela primeira vez. Estudos recentes com grandes grupos de pacientes continuam a encontrar esta diferença, embora a maioria dos implantes de substituição permaneça em função. Isto não significa que um segundo implante esteja destinado a falhar. Significa que o historial daquela zona passa a fazer parte do diagnóstico. E se houver uma segunda falha, uma terceira tentativa deve ser ponderada com ainda mais cuidado. Nessas situações, não basta procurar “mais osso” ou escolher um implante diferente. É necessário voltar a analisar a razão pela qual o tratamento não está a comportar-se como esperado. Às vezes encontra-se uma explicação clara. Noutras, vários fatores pequenos somam-se e tornam o resultado menos previsível.

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[…]Nem todos os implantes falham da mesma forma. Há falhas precoces, quando o implante não chega a integrar-se adequadamente no osso durante a cicatrização. E há falhas tardias, depois de meses ou anos de funcionamento, muitas vezes associadas a perda óssea, inflamação peri-implantar, sobrecarga mecânica ou uma combinação de fatores.

O osso que fica depois da remoção decide muito

Retirar um implante não é igual a extrair um dente. Dependendo da razão da falha e da técnica utilizada, pode existir um defeito ósseo estreito e relativamente fácil de tratar ou uma perda extensa que exige regeneração. O objetivo durante a remoção é preservar o máximo de tecido saudável possível. Depois avaliam-se a largura e a altura do osso residual, a presença de paredes ósseas, a proximidade de estruturas anatómicas e a condição da gengiva. Se não existe volume suficiente para posicionar corretamente um novo implante, pode ser necessário fazer enxerto ósseo. Também os tecidos moles contam. Uma zona submetida a várias cirurgias pode apresentar cicatrizes, perda de espessura gengival ou alterações que tornam o desenho da futura coroa mais exigente. Na Clínica Cristiana Rebelo, em Setúbal, a avaliação de um implante falhado deve por isso olhar para o local como um todo: não apenas para o espaço onde estava o parafuso, mas para o osso, gengiva, mordida, prótese anterior e fatores que possam ter contribuído para a falha.

Há casos em que insistir num novo implante não é a melhor opção

A possibilidade técnica de fazer outra tentativa não obriga a fazê-la. Se o local sofreu uma perda óssea muito extensa, se existem fatores de risco difíceis de controlar ou se sucessivas cirurgias aumentariam demasiado a complexidade sem garantir um benefício proporcional, pode ser mais sensato estudar alternativas. Dependendo do caso, uma ponte, uma solução protética diferente ou uma alteração no desenho global da reabilitação podem oferecer um resultado mais previsível. Esta decisão torna-se particularmente importante depois de falhas repetidas. A literatura mostra que a sobrevivência tende a diminuir à medida que se sucedem novas tentativas no mesmo local. Por isso, uma segunda colocação não deve ser encarada como uma repetição automática da primeira. É um novo plano de tratamento, com informação que antes não existia: já sabemos que naquele local algo não correu como previsto.

Uma falha não fecha a porta, mas obriga a perceber o que aconteceu

Perder um implante é frustrante, sobretudo depois de cirurgia, tempo de cicatrização e investimento num tratamento que se esperava duradouro. Ainda assim, não significa necessariamente que aquele espaço tenha ficado sem solução. Muitos implantes são colocados com sucesso em zonas onde outro falhou anteriormente. O cuidado está em não transformar essa possibilidade numa promessa. O resultado depende da causa da falha, do estado do osso e da gengiva, da possibilidade de corrigir fatores de risco e da forma como o novo tratamento é planeado. Se houver boas condições, um segundo implante pode ser uma opção perfeitamente razoável. Se essas condições ainda não existem, prepará-las primeiro pode ser mais importante do que tentar novamente depressa. O fracasso do primeiro implante não deve ser esquecido. Deve ser usado como informação para que a próxima decisão seja melhor.