sedação consciente em implantologia para quem tem medo

Há pessoas que adiam um implante porque têm dúvidas sobre o tratamento. Outras adiam-no porque só a ideia de se sentarem na cadeira do dentista é suficiente para lhes acelerar o coração. A ansiedade dentária pode provocar suor, tremores, náuseas, sensação de perda de controlo e, nos casos mais intensos, verdadeiro pânico. Quando chega a este ponto, explicar que “não vai doer” raramente resolve. A pessoa pode não recear apenas a dor: pode temer a anestesia, os instrumentos, os sons, a duração da cirurgia ou simplesmente não tolerar a sensação de estar consciente enquanto alguém trabalha na sua boca. É neste contexto que a sedação consciente pode fazer diferença. Em determinados pacientes, permite realizar procedimentos de implantes dentários com muito menos ansiedade, mantendo a pessoa consciente, capaz de respirar autonomamente e de responder quando lhe falam.

Sedação consciente não é anestesia geral — e não substitui a anestesia local

Na anestesia geral, o paciente perde a consciência e necessita de um contexto médico próprio, com controlo avançado da via aérea e monitorização específica. Na sedação consciente, o objetivo é outro: reduzir ansiedade e tensão mantendo um nível de consciência suficiente para que a pessoa responda a instruções e preserve os reflexos protetores. Pode sentir-se muito relaxada, sonolenta e menos atenta ao que acontece à sua volta, mas não está submetida a anestesia geral. Também continua a ser necessária anestesia local. As duas técnicas tratam problemas diferentes: a sedação reduz ansiedade e altera a forma como a experiência é vivida; a anestesia local bloqueia a dor na zona da cirurgia. Para muitos pacientes com medo intenso, esta combinação é precisamente o que torna possível um tratamento que antes parecia fora de alcance.

Quem pode beneficiar e o que se sente durante o procedimento

Há uma diferença entre estar nervoso antes de uma cirurgia e ter ansiedade dentária incapacitante. Algum nervosismo é habitual e muitas pessoas conseguem geri-lo depois de compreenderem o procedimento e saberem o que vai acontecer. Noutras, o medo domina a experiência: dormem mal nas noites anteriores, cancelam consultas repetidamente, sentem náuseas ao entrar numa clínica ou carregam experiências anteriores que tornaram qualquer tratamento dentário difícil. A sedação consciente pode ser particularmente útil nestes casos e também pode ser considerada quando existe reflexo de vómito muito marcado ou dificuldade significativa em tolerar procedimentos prolongados. Durante a sedação, a experiência varia de pessoa para pessoa, mas é habitual existir relaxamento, sonolência e menor atenção aos sons, movimentos e passagem do tempo. Algumas pessoas recordam menos determinados momentos. Continuam, porém, a conseguir responder quando lhes pedem para abrir a boca, alterar ligeiramente a posição da cabeça ou comunicar alguma necessidade. Para alguém que passa uma cirurgia inteira num estado de vigilância extrema, esta diferença pode ser enorme.

Sedar não é simplesmente “apagar” o medo

A sedação consciente é uma ferramenta clínica, não um tratamento definitivo para uma fobia. O objetivo é permitir que determinado procedimento decorra com maior conforto e cooperação. Uma pessoa com medo intenso pode continuar a precisar de estratégias específicas para conseguir lidar melhor com consultas futuras. Em alguns casos, uma experiência cirúrgica tranquila ajuda a quebrar anos de expectativa negativa; noutros, o medo mantém-se. Também não faz sentido sedar automaticamente qualquer pessoa que esteja nervosa. Se uma boa explicação, uma equipa tranquila e anestesia local adequada forem suficientes, pode não existir benefício em acrescentar sedação. A indicação deve resultar da intensidade da ansiedade, do estado de saúde, da duração e complexidade do procedimento e da capacidade do paciente para o tolerar.

sedação consciente

[…]A sedação consciente é uma ferramenta clínica, não um tratamento definitivo para uma fobia. O objetivo é permitir que determinado procedimento decorra com maior conforto e cooperação. Uma pessoa com medo intenso pode continuar a precisar de estratégias específicas para conseguir lidar melhor com consultas futuras.

A segurança começa antes do dia da cirurgia

A sedação não começa quando a pessoa entra no gabinete cirúrgico. Antes é necessário conhecer o estado geral de saúde, medicação habitual, alergias, antecedentes médicos e cirúrgicos e eventuais problemas respiratórios ou cardiovasculares, entre outros fatores relevantes. Também é preciso perceber o grau de ansiedade e o procedimento previsto. Esta avaliação permite decidir se a sedação é adequada e estabelecer as condições necessárias. Durante o tratamento, estar relaxado não significa estar sem vigilância. Precisamente porque são utilizados medicamentos que alteram o estado de consciência, existe monitorização clínica adequada ao tipo e profundidade de sedação. Podem ser acompanhados parâmetros como oxigenação, frequência cardíaca e pressão arterial, e a equipa tem de estar preparada para reconhecer alterações e intervir. A cirurgia também não fica necessariamente mais rápida. O que muda muitas vezes é a forma como o tempo é vivido. Quarenta minutos numa cadeira podem parecer intermináveis a alguém em pânico; com sedação adequada, essa perceção pode ser muito diferente.

Depois da cirurgia ainda há regras a cumprir

Dependendo da técnica utilizada, os efeitos podem prolongar-se algum tempo após o fim do tratamento. Por isso existem instruções específicas relacionadas com alimentação prévia, medicação, acompanhamento e regresso a casa. Em determinadas formas de sedação, a pessoa não deve conduzir nem tomar decisões importantes no período seguinte e deve regressar acompanhada por um adulto responsável. Estas indicações fazem parte da segurança e precisam de ser conhecidas antes do dia da cirurgia. A sedação também tem riscos. Podem ocorrer alterações respiratórias ou cardiovasculares, náuseas, tonturas, sonolência prolongada ou respostas inesperadas aos medicamentos. A probabilidade e relevância destes acontecimentos dependem da técnica, do estado de saúde e da profundidade da sedação. É por isso que seleção do paciente, monitorização e preparação da equipa não são detalhes administrativos. São parte do tratamento.

Quando o medo já está a decidir pela pessoa

Alguns pacientes vivem durante anos com dentes ausentes, próteses instáveis, infeções recorrentes ou dificuldade em mastigar porque o receio do tratamento se tornou maior do que o próprio problema dentário. Entretanto, a boca continua a mudar. Pode perder-se osso, outros dentes podem deslocar-se e uma reabilitação inicialmente simples pode exigir mais etapas. A sedação consciente não é obrigatória para quem tem ansiedade nem adequada a toda a gente, mas pode retirar um obstáculo que estava a impedir o tratamento. Se tens adiado implantes porque o medo da cirurgia é intenso, já cancelaste consultas por ansiedade ou sabes que tens muita dificuldade em tolerar procedimentos dentários prolongados, vale a pena dizer isso logo na avaliação. Na Clínica Cristiana Rebelo, em Setúbal, essa informação pode ser considerada no planeamento da mesma forma que se avaliam o osso, as gengivas ou a extensão da cirurgia. O objetivo não é provar que consegues “aguentar”. É encontrar condições em que o tratamento possa ser realizado com segurança sem transformar cada minuto na cadeira numa experiência difícil de suportar.