
- Alinhadores invisíveis funcionam para todos?
- O que fazem bem: o território natural dos alinhadores
- Onde começam os limites: movimentos difíceis, ossos teimosos
- Tempo de tratamento: mais depressa, mais devagar ou simplesmente diferente?
- A variável que ninguém gosta de admitir: colaboração 22 horas por dia
- Tempo não é tudo: saúde periodontal, raízes e ATM
- Retenção: depois dos alinhadores, a verdadeira prova é o tempo
- Dois casos, dois finais possíveis
- Perguntas úteis para levares para a consulta
- Decidir com calma: estética, função e tempo de vida dos dentes
Alinhadores invisíveis funcionam para todos?
A promessa é tentadora: corrigir os dentes com “gadelhas” transparentes, quase sem ninguém notar, menos desconforto e menos idas ao consultório. Em pouco tempo, a pergunta deixa de ser “será que resulta?” e passa a ser “por que é que ainda não comecei?”. Só que a realidade clínica é menos redonda do que a publicidade.
Os alinhadores invisíveis funcionam, sim, mas não funcionam para tudo, nem para todos. Em Portugal, e também na região de Setúbal e Almada, a decisão começa sempre da mesma forma: radiografias, exame completo e um diagnóstico honesto. Só depois se responde à pergunta que interessa: és realmente um bom candidato para este tipo de tratamento ou a tua mordida pede outro caminho dentro da Ortodontia?
O que fazem bem: o território natural dos alinhadores
Tecnologicamente, os alinhadores são impressionantes. Um conjunto de placas transparentes, feitas por medida, vai movimentando os dentes em pequenas etapas. Cada alinhador é um “frame” de um filme maior: muda-se de placa, a posição avança.
Na prática, são especialmente eficazes em:
- Apinhamentos ligeiros a moderados, quando é preciso alinhar dentes que se “atropelam”, mas sem rotações extremas.
- Espaçamentos entre dentes da frente, sobretudo em sorrisos adultos que perderam suporte ósseo ou tiveram ortodontia antiga sem retenção.
- Alguns cruzamentos anteriores e pequenos ajustes da linha média.
- Retrações de casos já tratados com aparelho fixo em que os dentes começaram a “voltar atrás”.
O grande trunfo está na combinação de planeamento digital e possibilidade de remover o aparelho para comer e escovar. Para muitos adultos com rotinas cheias, isto faz toda a diferença na decisão de tratar.
Onde começam os limites: movimentos difíceis, ossos teimosos
Aqui entra a parte menos sedutora, mas mais importante. Alinhadores não são uma “varinha mágica” que substitui tudo. Há cenários em que até podem ser usados, mas com compromissos, e outros em que simplesmente não são a melhor ferramenta.
Casos com grande discrepância óssea, como classes II ou III marcadas, mordidas abertas importantes ou desvios severos da linha média, exigem muitas vezes abordagens que ultrapassam o que os alinhadores conseguem controlar com previsibilidade. Movimentos como rotações grandes de caninos ou pré-molares, extrusões significativas e controlo apurado de raízes continuam a ser mais fiáveis, em muitos casos, com aparelho fixo.
Também é preciso falar claro sobre extrações. Em maloclusões moderadas a severas, que requerem remoção de dentes para criar espaço e estabilizar a mordida, o controlo tridimensional do espaço de extração pode ficar limitado com alinhadores, sobretudo se a colaboração não for exemplar. O resultado pode ser um compromisso estético aceitável, mas com estabilidade discutível.
[…] O grande trunfo está na combinação de planeamento digital e possibilidade de remover o aparelho para comer e escovar. Para muitos adultos com rotinas cheias, isto faz toda a diferença na decisão de tratar.
Referências
- Robertson L, Kaur H, Fagundes NCF, et al. Effectiveness of clear aligner therapy for orthodontic treatment: a systematic review. Orthod Craniofac Res. 2020;23(2):133–142. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31651082/
- Alwafi A, Bichu YM, Avanessian A, et al. Overview of systematic reviews and meta-analyses assessing the predictability and clinical effectiveness of clear aligner therapy. Dent Rev (DentRes). 2023;3(1):100074. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2772559623000123
- Sharif MO, Alkadhimi A. Orthodontic retention: a clinical guide for the GDP. Dent Update. 2019;46(9):848–856. Disponível em: https://discovery.ucl.ac.uk/id/eprint/10060821/1/Sharif_denu.2019.46.9.848.pdf

